Muito além do servidor: conheça a primeira mulher preparadora física dos esports no Brasil
- LÓTUS HUB

- há 21 horas
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Em um mercado bilionário construído em cima de reflexo, precisão e horas a fio de treino, existe uma pergunta que a indústria brasileira dos games só começou a fazer há pouco mais de cinco anos: quem cuida do corpo do atleta?
A resposta tem nome. E foi uma mulher que ajudou à ecrever um dos primeiros capítulos dessa história no Brasil.

A trajetória de Isabelle Leal nos esports começou longe das estruturas de uma equipe profissional. Entre 2018 e 2019, enquanto ainda competia no CS e finalizava seu TCC em Educação Física, ela se deparou com uma reportagem sobre a rotina da Astralis, uma das grandes referências do cenário mundial na época. Preparação física, fisioterapia, nutrição e acompanhamento psicológico faziam parte de uma estrutura completa de cuidado com os jogadores. Foi ali que uma nova possibilidade de carreira começou a tomar forma.
"Aquilo virou uma chave na minha cabeça na hora"
A constatação era simples e, à época, praticamente ausente no mercado brasileiro: nenhum atleta sustenta alto desempenho competitivo sem cuidado físico estruturado.
Não havia protocolo, bibliografia específica ou profissional de referência para seguir. Isab, como é reconhecida no universo dos games, precisou importar conhecimento da Educação Física tradicional (fisiologia, biomecânica, prevenção de lesões) e adaptá-lo a um tipo de atleta completamente diferente: horas sentado, movimentos repetitivos, exigência extrema de atenção e tomada de decisão.
O maior obstáculo não foi técnico, foi convencer organizações de que a função tinha valor.
"Ainda existia muito aquela visão de que, para melhorar a performance, o jogador precisava basicamente jogar mais", explica.
A validação veio meses depois, quando os próprios jogadores relataram menos fadiga e mais consistência dentro do jogo.
Esse trabalho, mais tarde, também virou ciência: ela é coautora de um estudo sobre dor em atletas profissionais de esports no Brasil, com jogadores de Valorant e League of Legends, produzido ao lado de outros profissionais de saúde do cenário.
A percepção sobre o pioneirismo veio aos poucos. Ao conversar com outras organizações do cenário nacional, Isabelle percebeu que, no Brasil, a função de preparação física nos esports ainda era ocupada exclusivamente por homens.
“Foi super estranho, porque junto com o orgulho vem sempre uma responsabilidade muito grande”, afirma.

O objetivo da preparadora física não é só ser lembrada como a primeira, é mostrar para outras mulheres profissionais da área que elas também podem.
"Ser referência é muito legal, mas mais legal ainda é olhar para trás e perceber que você não está mais sozinha naquele espaço."
Para quem quer seguir o mesmo caminho, o recado é direto: estudar não é suficiente sem entender a rotina real do atleta.
"Não basta conhecer da sua profissão, é muito importante entender como funciona a rotina de um jogador, os campeonatos, os treinos e as demandas específicas de cada modalidade."
Ela abriu um caminho que não existia. E está construindo, jogo após jogo, o padrão que toda uma indústria ainda está aprendendo a seguir.


