Campeã mundial, FURIA fe deixa o CS e parte para um novo desafio no VALORANT
- Amanda Abreu

- há 5 horas
- 4 min de leitura
Equipe campeã mundial deixa o Counter-Strike e leva sua experiência para um novo desafio no VALORANT inclusivo

A FURIA está pronta para escrever um novo capítulo de sua história nos esports. Após seis anos de atuação no Counter-Strike, a organização anunciou a migração de sua equipe feminina para o VALORANT, encerrando uma trajetória marcada por títulos, grandes campanhas internacionais e um campeonato mundial.
O novo elenco de VALORANT inclusivo mantém cinco nomes conhecidos da equipe:
Bruna “bizinha” Marvila, Gabriela “gabs” Freindorfer, Izabella “izaa” Galle, Karina “kaahSENSEI” Takahashi e Lucia “lulitenz” Dubra.
A mudança acontece em um período de transformação para o cenário feminino de Counter-Strike. Com o encerramento da ESL Impact, principal circuito internacional dedicado à modalidade, o calendário competitivo perdeu uma das suas estruturas mais importantes. A saída da FURIA se soma a outras movimentações recentes de jogadoras que também encontraram no VALORANT uma nova possibilidade para seguir suas carreiras.
Para a organização, entretanto, a despedida acontece depois de uma das campanhas mais marcantes de sua história.
Seis anos de títulos e história
A FURIA entrou no cenário feminino de Counter-Strike em 2020 e, ao longo dos anos, construiu um dos currículos mais expressivos da modalidade.
A equipe conquistou competições nacionais, sul-americanas e internacionais, tornando-se presença constante nas principais disputas do cenário. Entre os troféus estão títulos da ESL Impact League, Gamers Club, BGS Esports, Rainhas do Clutch, GIRLGAMER e AORUS League.
O ponto mais alto veio em 2025.
A FURIA conquistou a ESL Impact League Season 7 Finals, em Dallas, nos Estados Unidos, e se tornou campeã mundial de Counter-Strike.
O título coroou uma trajetória construída durante anos e colocou o elenco definitivamente entre as equipes que marcaram a história do CS feminino.
Além do título mundial, a FURIA construiu uma trajetória marcada pela consistência e pelo alto número de decisões disputadas. Ao longo de sua passagem pelo Counter-Strike, a equipe acumulou 58 finais, conquistando o título em 43 delas e apenas 15 com o vice-campeonato.
O legado construído no CS agora acompanha as jogadoras para uma modalidade completamente diferente.
Uma despedida especial para lulitenz
A mudança também representa um reencontro com uma possibilidade que Lucia “lulitenz” Dubra já havia considerado no início de sua carreira.
Antes de escolher o Counter-Strike como caminho competitivo, a jogadora chegou a cogitar começar no VALORANT. Na época, porém, optou pelo CS, jogo que já fazia parte de sua vida há anos.
“Eu jogava em 2020 porque meu computador não rodava bem o CS e até cogitei começar a competir no VALORANT naquela época. Mas, como toda minha vida tinha jogado CS, optei por tentar uma carreira aí — e ainda bem, porque fizemos história.”
Agora, anos depois, lulitenz retorna ao jogo em uma situação completamente diferente: como campeã mundial e ao lado de companheiras com quem construiu parte importante de sua carreira.
A adaptação, segundo ela, tem sido positiva.
“Esse momento de transição está sendo bom, eu estou gostando de realmente aprender e entender o jogo.”
Começar de novo
Se existe uma vantagem para a FURIA nessa transição, ela está na experiência acumulada pelas jogadoras.
São anos disputando partidas de alto nível, LANs, campeonatos internacionais e finais decisivas. Ainda assim, nada disso elimina a necessidade de aprender as particularidades do VALORANT.

Gabs explica que o elenco está encarando justamente esse processo de descoberta.
“A gente está começando do zero, então estamos conhecendo toda a mecânica do jogo primeiro, se divertindo jogando e tendo volume de jogo para conseguir entrar nos treinos e nos campeonatos da melhor forma.”
A experiência anterior no FPS é uma base importante, mas o novo jogo exige adaptações em comunicação, composição de agentes, tomada de decisão e dinâmica coletiva.

Para kaahSENSEI, reconhecer essa diferença é parte fundamental do processo.
“VALORANT é um jogo diferente em muitos aspectos. Apesar do fato de ser FPS ser o mesmo, nós viemos com uma bagagem de FPS e experiências em LANs e mundiais, mas tem muitas coisas de VALORANT que estamos aprendendo.”
A jogadora também coloca em perspectiva o desafio que a equipe terá pela frente.
“Agora o objetivo é aprimorar nossa comunicação, entendimento de composições e ficar com o individual melhor a cada dia para conseguir alcançar todos que jogam esse jogo há muitos anos a mais do que nós.”
Nesse processo, a comissão técnica terá um papel importante. A jogadora destaca os coaches como peças fundamentais para acelerar a adaptação do elenco.
“Nossos coaches YJ e Ryotz são um grande fator pra gente aprender e melhorar mais a cada dia.”
Uma nova geração de desafios
A chegada da FURIA ao VALORANT acontece em um momento em que a modalidade possui um ecossistema competitivo consolidado para mulheres e outras identidades sub-representadas.
Para jogadoras que construíram suas carreiras no Counter-Strike, a mudança representa também uma oportunidade de conhecer um ambiente competitivo diferente e continuar atuando profissionalmente.
A FURIA chega carregando um peso considerável: o de uma organização campeã mundial e de um elenco que já provou sua capacidade de vencer.
Mas, dentro do servidor, os títulos anteriores não resolvem tudo.
Será necessário aprender o jogo, desenvolver novas estratégias, entender as composições, adaptar a comunicação e construir novamente uma identidade competitiva.
É justamente aí que está a parte mais interessante dessa história.
O time não está começando sua trajetória nos esports.
Está começando uma nova trajetória.
Depois de seis anos fazendo história no Counter-Strike, a FURIA agora muda de mapa, de agentes e de jogo — mas mantém o mesmo objetivo: competir no mais alto nível.
Elenco da FURIA no VALORANT inclusivo
Bruna “bizinha” Marvila
Gabriela “gabs” Freindorfer
Izabella “izaa” Galle
Karina “kaahSENSEI” Takahashi
Lucia “lulitenz” Dubra
Lucas "YJ" Yuji
Leon "Ryotzz" Felipe
Do título mundial no Counter-Strike ao desafio de aprender um novo jogo: a FURIA começa agora uma nova fase, e o próximo capítulo está apenas começando.


