Não viemos nos esconder

Como uma grande apaixonada por filmes e livros de romance, eu não poderia
deixar de assistir o filme A Hipótese do Amor, baseado no livro de mesmo título
da Ali Hazelwood.

Logo no começo do filme, Olive entra em uma sala de aula e escolhe um lugar
mais ao fundo para se sentar. Anh, ao perceber que as duas são as únicas
mulheres naquele lugar, chama a amiga para sentar mais à frente. Olive tenta
dizer que está bem ali, mas Anh insiste e diz: “Não viemos nos esconder.”
Em um espaço predominantemente masculino, essa frase é poderosa demais. No
universo do filme, Olive e Anh são cientistas, mas podemos aplicar essa mesma
ideia ao universo dos jogos e dos e-sports.
Como uma mulher que escolheu construir uma carreira justamente nessa área,
eu sei que às vezes existe aquele receio de falar, aparecer ou simplesmente
ocupar um espaço que não é tão confortável. Inclusive, em uma das cenas do
filme, Dra. Aslan diz para Olive que, por mais que não seja justo, ser boa no que
fazemos não é o suficiente, mulheres têm que ser impecáveis e inquestionáveis.
Mas, mesmo que nem sempre seja fácil, quando olhamos para o lado, podemos
descobrir que não estamos totalmente sozinhas. Existem projetos e comunidades
como a própria Lótus HUB, o Mulheres no e-Sports - MNE e o Todas Tech (e
muitos outros) com espaços que aproximam mulheres, criam conexões e ajudam
a mostrar que, mesmo quando determinado ambiente parece dominado por
homens, nós também estamos presentes.
Nesse momento a frase de Anh começa a fazer ainda mais sentido. A
representatividade de outras mulheres nesses espaços é muito importante,
porque não apenas nos inspira, mas também ajuda a abrir caminho para que
outras percebam que existe, sim, um lugar para nós ali.
A propósito, quando falamos especificamente de jogos, somos mais numerosas
do que imaginamos. Segundo a Pesquisa Game Brasil (PGB) 2025, as mulheres
representam 53,2% do público consumidor de jogos digitais no Brasil.
Então, apesar de o universo gamer ainda ser percebido como
predominantemente masculino, as mulheres já são maioria entre as pessoas que
consomem jogos digitais no Brasil. Só que, infelizmente, muitas de nós nos
escondemos em nicks masculinos e nem chegamos a abrir o microfone nas
partidas.
Mas lembra o que a Anh disse para Olive? Jogar não deveria exigir que uma
mulher esconda quem é. Por isso, devemos fazer barulho e mostrar que estamos presentes nesses lugares, que fazemos parte do público, que também fazemos
aces e pentakills.
Nós não devemos sentir medo e nos esconder no fundo da sala. Nós podemos e
devemos falar mais alto, mostrar nosso trabalho, nos divertir, jogar, estudar, ser
excelentes profissionais, ocupar posições de liderança. Nós somos capazes de
qualquer coisa, e juntas somos ainda mais fortes.
Vamos sentar na frente, não vamos nos esconder.
+segura Lótus HUB
É claro que isso não significa que precisamos nos colocar em situações que nos
façam mal ou que toda mulher precise se expor o tempo inteiro. Cada uma
encontra a forma e o ritmo em que se sente segura para ocupar um espaço.
Se alguma situação no ambiente digital ultrapassou seus limites, deixou você
desconfortável ou fez você não se sentir segura, a Lótus HUB criou o +segura,
uma iniciativa voltada a transformar informação jurídica e segurança digital em
orientação clara, acessível e prática para mulheres que enfrentam situações de
violência no ambiente online.
Acesse o +segura clicando aqui ou no ícone à direita na parte inferior da tela.