Caso Isabelle: como usar a tecnologia como ferramenta de proteção

Ferramentas digitais podem ajudar mulheres a verificar informações, proteger seus dados e criar uma rede de segurança antes e durante um relacionamento
A morte da estudante de Direito Isabelle Caracristi, de 22 anos, em Fortaleza, está sendo
investigada pela Polícia Civil. Isabelle foi encontrada morta após cair do 23º andar do prédio
onde morava com o namorado. O namorado, João Munhoz Neto, é procurado pelas
autoridades, e a Polícia Civil pediu sua prisão preventiva. A investigação ainda busca
esclarecer as circunstâncias da morte.
À medida que novas informações sobre o caso vieram a público, também surgiram
questionamentos sobre aspectos da vida pessoal e profissional do namorado de Isabelle.
Reportagens apontaram que ele era bacharel em Direito, mas não possuía registro na OAB,
além de trazerem relatos de familiares da jovem sobre comportamentos que eles
consideravam controladores. Essas informações fazem parte do contexto que está sendo
apurado pelas autoridades e, isoladamente, não permitem concluir sobre a responsabilidade pela morte.
Mas, para além dos mistérios que ainda cercam a investigação, o caso levanta uma reflexão
importante: em um mundo em que cada vez mais relacionamentos começam pela
internet, como mulheres podem usar a tecnologia para conhecer melhor quem está
do outro lado antes de confiar?
A resposta não está em transformar relacionamentos em investigações, mas em entender
que informação também pode ser uma ferramenta de proteção.
Antes de confiar, pesquise
Se você conheceu alguém pela internet ou começou um relacionamento recentemente,
algumas informações públicas podem ser verificadas.
Se a pessoa afirma ser advogada, por exemplo, é possível consultar seu registro no
Também é possível consultar processos públicos. No Ceará, o TJCE disponibiliza consulta
processual pelo nome da parte.
Já a Polícia Federal oferece a emissão da Certidão de Antecedentes Criminais.
Também vale pesquisar o nome completo no Google, conferir redes sociais, informações
profissionais e, quando houver motivo para dúvida, fazer uma busca reversa de imagens.
Mas atenção: encontrar um processo não significa que alguém seja culpado, e uma
certidão negativa não significa que você conheça toda a história daquela pessoa. As
informações precisam ser verificadas e interpretadas com cuidado.
Use o celular também para se proteger
A tecnologia não serve apenas para pesquisar quem está do outro lado. Ela também pode
criar uma rede de segurança. Ao encontrar alguém pela primeira vez:
compartilhe sua localização com uma pessoa de confiança;
envie o perfil da pessoa e o local do encontro;
mantenha o celular carregado;
tenha uma forma independente de voltar para casa;
configure os recursos de SOS do aparelho;
combine uma palavra-código para pedir ajuda discretamente.
E proteja também sua vida digital. Não compartilhe senhas, códigos de autenticação,
documentos ou sua localização permanente apenas porque está em um relacionamento.
Tecnologia não substitui a intuição
Nenhuma pesquisa na internet consegue garantir que alguém seja uma pessoa segura. Da
mesma forma, ter um processo ou não ter antecedentes não determina, sozinho, como
alguém irá se comportar em um relacionamento.
Por isso, a tecnologia deve ser vista como uma camada a mais de proteção.
Em um mundo onde muitos relacionamentos começam através de uma tela, saber usar a
tecnologia para se proteger também é uma forma de autonomia.
Na Lótus HUB, acreditamos que informação também é proteção. Por isso criamos o +SEGURA, uma iniciativa gratuita que ajuda mulheres a entenderem como preservar provas, identificar caminhos de denúncia e saber onde buscar apoio em casos de violência no ambiente digital.
Se algo aconteceu com você, você não precisa descobrir sozinha qual é o próximo passo.